Chacina da Candelária completa 17 anos com passeata e críticas às políticas públicas
A caminhada “Candelária Nunca Mais”, promovida pela Pastoral do Menor da Arquidiocese do Rio de Janeiro, reuniu mais de 20 entidades e parentes de vítimas da violência contra crianças e adolescentes e marcou os 17 anos da chacina que vitimou oito jovens que dormiam na rua, nas imediações da Igreja da Candelária, no centro da capital fluminense.
A coordenadora da Pastoral do Menor da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) e representante do Conselho Estadual de Defesa da Criança e do Adolescente, Maria de Fátima Pereira da Silva, criticou o Poder Público e afirmou que desde o ocorrido ainda não existe uma política de Estado em defesa do menor.
“Não estão respeitando a Constituição Federal, no Artigo 227, que diz que a criança é prioridade absoluta. Há orçamento para outras denominações do governo, mas a criança está sempre em último plano”, protestou Maria de Fátima, organizadora do evento.
O coordenador executivo do Centro de Defesa da Criança e do Adolescente do Rio de Janeiro, Pedro Pereira, afirmou que a violência contra a criança está institucionalizada. E disse que dentro do Departamento Geral de Ações Sócioeducativas, onde há menores detidos, “eles são cotidianamente submetidos a tratamento degradante e desumano”.
“Essa é uma forma da gente compensar um pouco a dor e tomar uma atitude”, disse Luciene.
A ministra de Desenvolvimento Social e Combate à Fome, Márcia Lopes, que também participou do ato, afirmou que o orçamento da pasta saiu de R$ 6 bilhões no ano passado para R$ 40 bilhões tendo o “Bolsa Família” como o projeto principal.
“Hoje, felizmente nós podemos destacar, nesses 20 anos do Estatuto da Criança e do Adolescente, grandes avanços na redução dos índices, que nós sempre tivemos no país, de trabalho infantil e o abuso de exploração sexual, a violência e a permanência das crianças nas ruas. Sabemos que ainda há um caminho longo para que possamos aprimorar cada vez mais [as políticas pública em defesa dos jovens]”, afirmou a ministra.




